Julho Verde 2020: tudo que você precisa saber sobre o Câncer de Cabeça e Pescoço

Saiba quais são as principais causas e os sintomas do câncer de cabeça e pescoço para aumentar as chances de diagnóstico precoce

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O Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço é celebrado no dia 27 de julho. Durante esse mês, são realizadas inúmeras ações coordenadas com o objetivo de se divulgar as principais causas desse tipo de câncer e os sintomas relacionados a ele, para que possamos aumentar as chances de um diagnóstico precoce. A Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), e associações como a Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG), além de instituições públicas (SES, FAHECE, CEPON e UFSC) e privadas que prestam assistência a estes doentes (Hospital Baía Sul), neste mês de julho, convergem suas forças para atuar na prevenção dessa doença.

Mas o que é o câncer de cabeça e pescoço?


Como o nome define, seriam todos os tumores, principalmente os malignos, que crescem na região da cabeça e do pescoço. Destacam-se os tumores de pele da face, boca, laringe, glândula tireoide, faringe e glândulas salivares. Esses tumores são organizados em conjunto, não somente pela proximidade de sua localização, mas também porque muitos dos fatores causadores são comuns, como o cigarro, o álcool, o HPV e a exposição solar em excesso.

Quais as causas desse tipo de câncer?

O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de cabeça e pescoço. O risco está relacionado à intensidade e ao tempo de exposição. O cigarro contém nitrosaminas e hidrocarbonetos que são substâncias carcinogênicas. Na fumaça do cigarro, existem 70 substâncias que causam câncer. O seu uso crônico e intenso aumenta bastante o risco de se desenvolver um câncer nessa região.
O álcool age como solvente, isso faz com que a exposição da mucosa a agentes carcinogênicos seja maior, aumentando a absorção celular desses agentes. Além disso, age como uma substância imunossupressora, reduzindo nossa imunidade e propiciando o surgimento do câncer.
A infecção por HPV-16 e 18 constitui um fator de risco independente para o câncer de cabeça e pescoço, principalmente para orofaringe. A infecção por HPV no trato aerodigestivo superior é a causadora de pelo menos 25% desses tumores. O DNA do vírus penetra na célula e altera o DNA celular, predispondo ao desenvolvimento do câncer, semelhante ao que ocorre no colo do útero. Acredita-se que a transmissão do vírus HPV esteja relacionada aos hábitos sexuais, e o sexo oral e inúmeros parceiros diferentes seriam a forma de transmissão mais relevante. Apesar disso, acredita-se que a vacina contra o HPV ajude a reduzir esse risco.
A exposição excessiva ao sol causa um dano crônico na pele, que predispõe o surgimento de manchas e feridas que podem se transformar em câncer. Acima dos 60 anos de idade, estima-se que 50% da população, principalmente a que possui pele clara, desenvolverá um câncer de pele. Obviamente, as regiões mais expostas à radiação solar serão as de maior risco, aí está incluída a pele da face. O câncer no lábio também é causado pela exposição demasiada ao sol; em nossa região, pescadores e pessoas que trabalham na lavoura, sem a devida proteção, teriam um risco aumentado.

Qual a incidência deste tipo de câncer?

Se somarmos proporcionalmente os tumores que acometem a cabeça e o pescoço, incluindo boca, laringe, faringe, tireoide, pele da face e tumores linfáticos que acometem essa região, esse seria o local com maior incidência no sexo masculino e um dos mais importantes no sexo feminino. Daí a relevância desse tipo de doença, nessa região.
Para o câncer de boca, segundo o INCA, o número de casos novos de câncer na cavidade oral esperados para o Brasil para cada ano do triênio 2020-2022 será de 11.200 casos em homens e de 4.010 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 10,70 casos novos a cada 100 mil homens, ocupando a quinta posição. Para as mulheres, corresponde a 3,71 para cada 100 mil mulheres, sendo a décima terceira mais frequente entre todos os cânceres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer da cavidade oral em homens ocupa a sexta posição na Região Sul (13,32/100 mil), e para as mulheres, na Região Sul (4,08/100 mil), ocupa a décima quarta posição.
Ainda segundo o INCA, o número de casos novos de câncer de laringe esperado para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 6.470 em homens e de 1.180 em mulheres. O risco estimado será de 6,20 casos novos a cada 100 mil homens e de 1,06 casos novos a cada 100 mil mulheres. Já na Região Sul (8,13/100 mil), é a décima primeira causa mais frequente de câncer.
Para o câncer de tireoide, no Brasil, o número de casos novos estimados de câncer, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 2.310 em homens e de 11.950 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 2,17 casos novos a cada 100 mil homens e 11,15 para cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de tireoide em homens ocupa a décima terceira posição na região Sul (1,79/100 mil), e, para as mulheres, na Região Sul, (6,12/100 mil), ocupa a décima segunda posição.
Com relação ao câncer de pele, para o Brasil, o número de casos novos de câncer de pele não melanoma esperado, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 83.770 em homens e de 93.170 em mulheres, correspondendo a um risco estimado de 123,27 casos novos a cada 100 mil habitantes. É o mais incidente em ambos os sexos. Quanto ao câncer de pele melanoma, o número de casos novos estimados será de 4.200 em homens e de 4.250 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 4,03 casos novos a cada 100 mil homens e 3,94 para cada 100 mil mulheres. Na Região Sul, o câncer de pele melanoma é mais incidente quando comparado com as demais regiões, para ambos os sexos.

Quais os sintomas?

Para o câncer de laringe, a presença de rouquidão persistente por mais de três semanas, tosse com laivos de sangue, mudança do timbre de voz e nódulos no pescoço seriam os sintomas mais importantes. Para a faringe ou garganta, a presença de desconforto e dificuldade para engolir, dor na garganta persistente e progressiva e sangramento, associado a nódulo no pescoço, seriam os sinais de alerta. Para o câncer de boca, o surgimento de aftas ou feridas persistentes e que não cicatrizam, associado à dificuldade de movimentação da língua, sangramento oral, e nódulo no pescoço seriam os sintomas associados a esta doença. No câncer de tireóide, a maioria dos casos são diagnosticados em pessoas sem sintomas, cujo tumor foi um achado de exame de ultrassonografia do pescoço. Quando sintomático, a manifestação seria por meio de nódulos na raiz do pescoço que se movimentam com a deglutição, ou em casos mais avançados, associado a nódulos na região lateral do pescoço.

Diretor Técnico Dr. Rafael Vasconcellos (CRM 7156 RQE 3936)