Como agir diante dos sintomas de derrame cerebral (AVC)

Neurocirurgião ensina como identificar os sinais de AVC e o que fazer em caso de emergência.

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O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das doenças mais preocupantes do mundo. O popular derrame é responsável pela segunda maior taxa de mortalidade no Brasil, de acordo com a Secretaria de Vigilância em Saúde.

Em meio a 400 mil casos registrados por ano no país, segundo o Ministério da Saúde, alguns fatos tornam o AVC ainda mais alarmante:

É uma doença que pode afetar todas as idades. Dados da Rede de Reabilitação Lucy Montoro revelam que 69% das vítimas de derrame têm menos de 60 anos.

Na hora do atendimento, cada segundo conta. Quanto mais rápido for o socorro ao paciente, maior é a chance de sobrevivência e menores serão as sequelas.

É essencial saber o que fazer nessa hora, mas no momento da emergência não haverá tempo para pesquisar. Então confira a seguir como agir diante dos sintomas de derrame cerebral. Essa informação poderá salvar vidas.

 

O que é o acidente vascular cerebral?

O AVC refere-se ao entupimento, quando isquêmico, ou rompimento dos vasos, no caso do hemorrágico, que levam sangue ao cérebro. No caso do AVC isquêmico, a área afetada sofre paralisia e os neurônios ao redor morrem, devido à falta de circulação sanguínea (infarto cerebral).  Responde por mais de 80% dos casos.  Pode acontecer o entupimento dos vasos cerebrais por trombose (formação de placas em uma artéria principal do cérebro ou que leva ao cérebro) ou embolia (quando o coágulo parte de outra parte do corpo, como do coração).   Por isso, o pronto-atendimento deve ser ágil, no sentido de retirar o coágulo o mais rápido possível, pois as sequelas aumentam consideravelmente com o passar do tempo.

 

O acidente vascular hemorrágico é diferente. Neste tipo, há o rompimento dos vasos cerebrais ocasionando hemorragia, provocando lesão cerebral no local e, em caso onde provoca o aumento da pressão intracraniana, a lesão cerebral poderá ser difusa.  

Já o ataque isquêmico transitório é uma obstrução temporária do sangue em certa região do cérebro. Os sintomas são os mesmos de um AVC, porém os efeitos são passageiros e podem durar poucos minutos. Mesmo assim, deve-se procurar ajuda médica urgente, pois o risco de um novo derrame é iminente.

Como identificar os sintomas do AVC?

“O tempo de resposta entre a ocorrência de um AVC e o tratamento adequado é fator essencial para minimizar danos ao cérebro”, diz o neurocirurgião Jorge Luís Wollstein Moritz (CRM 9543). O médico atua no pronto-atendimento do Hospital Baía Sul, ao lado de uma equipe de profissionais de UTI, urgentistas, especialistas em hemodinâmica, radiologistas e outros neurocirurgiões, segundo um protocolo específico para casos de AVC.

A corrida contra o tempo, porém, começa antes da chegada do paciente ao hospital. O neurocirurgião explica que é preciso conhecer os sintomas para identificar a ocorrência de um AVC. Ele lista os sinais mais comuns que merecem atenção, principalmente se aparecerem de maneira súbita:

• Dificuldade, fraqueza ou incapacidade de movimentar um lado do corpo;

• Formigamento nos membros;

• Dificuldades na motricidade da face;

• Perda da capacidade de se expressar (fala);

• Alterações na visão, incluindo sua perda;

• Dor de cabeça, sobretudo se acompanhada de vômito.

Os sinais que mais alertam são o formigamento ou a paralisia em apenas um lado do corpo. Outros sintomas podem variar conforme a região do cérebro afetada. Por exemplo, se a parte responsável pelo equilíbrio sofrer dano, a vítima pode ter dificuldade de manter-se em pé ou mesmo de apoiar-se. “Amigos, parentes e, por vezes, o próprio indivíduo precisam estar atentos e agir quando surgem os primeiros sinais”, orienta o Dr. Moritz.

Uma forma de identificar o AVC é solicitar que a pessoa erga ambos os braços, sorria e pronuncie alguma frase. Em caso de dificuldade de executar qualquer uma dessas ações, procure imediatamente ajuda.

 

O que fazer em caso de AVC?

A dica essencial é ir o mais rápido possível para o hospital. Mas cuidado: se tiver um AVC, não dirija.  Chame uma ambulância ou peça para alguém levar você. Como a perda de movimentos do corpo é um dos sintomas comuns do derrame, há o risco de causar um acidente mais grave se estiver na direção.Ao esperar uma ambulância, mantenha o paciente sentado ou deitado, pois há risco de perda de equilíbrio.

Se houver perda da consciência, não dê tapas ou chacoalhões, tampouco administre álcool ou similares na tentativa de reanimar a vítima. Em caso de convulsão, use uma almofada ou algo macio para apoiar a cabeça e evitar que a pessoa a bata contra o chão.

Vale ressaltar que cada minuto conta para o controle das sequelas. Nesse sentido, o paciente deverá ser levado ao Hospital de referência no atendimento deste tipo de doença. “Como praticamente não há reposição de neurônios ao longo da vida, o essencial é acelerar o tratamento para preservar o máximo possível de tecidos”, explica Moritz.

O neurocirurgião é um dos especialistas que trabalham no Pronto Atendimento do Hospital Baía Sul, em Florianópolis, Santa Catarina. Graças ao protocolo exclusivo para suporte a casos de AVC e ao fato de ter ao lado, na Clínica Imagem, uma ressonância magnética que funciona 24 horas por dia para a realização do diagnóstico preciso do derrame, o hospital consegue dar um atendimento completo a esses pacientes.

Diretor Técnico Dr. Rafael Vasconcellos (CRM 7156 | RQE 3967)